Não pensava
que passado tanto tempo, voltaria a estar assim, sempre pronta a escrever, uma vez
que mesmo já tendo escrito tanto, parece que há sempre algo a dizer quando o
assunto és tu.
São palavras sem destinatário,
palavras infundadas para um alguém que não as quer ouvir. Mas para mim, são
muito mais do que isso. É uma forma, a única maneira de conseguir organizar a
mistura de sentimentos, de emoçõess e principalmente, de pensamentos que me
mantêm desperta.
Já pensei em mil e um cenário, em
situações hipotéticas e, permaneço assim, presa a esta realidade que me consome
por não saber o motivo desta drástica mudança.
Já não tenho energia para continuar
a questionar a razão de estarmos assim. Continuo a querer saber, a querer
entender, mas sei que esse será sempre uma peça do puzzle perdida na imensidão
do mar. Serás o puzzle que nunca conseguirei resolver.
Sempre ouvi dizer que a lua era um
símbolo que iluminava as noites mais escuras. Que tornava o bréu da noite numa
beleza mágica. Mas o que fazer quando a suposta lua encontra-se perdida,
completamente à deriva em alto mar, que lhe tinha prometido salvar e guardar,
independentemente da tempestade existida?
O meu refúgio era a praia,
essencialmente ir à praia de noite! Assistir ao encontro entre o mar e a lua fazia-me pensar que, por mais que a lua estivesse rodeada de estrelas preferia sempre a magia do mar. Porém, esse amor nunca é consumado, será que era mesmo
um sinal? Que por mais que haja amor, talvez estivesse destinado à não união
desse amor. Talvez o mar ainda tenha que encontrar o seu sol, e a lua esteja só
condenada a brilhar à noite, rodeada de estrelas.
Deixando as analogias de lado, talvez no futuro consiga compreender o facto de estarmos assim. De qualquer das
formas, o carinho vai permanecer aqui, num coraçãozinho que não sabe como se
aguenta. Lá se vai aguentando, almejando o dia que os pedaços se juntem e que
se mantenham assim, sem medo de mudanças inesperadas, sem medo de despedidas ou
partidas sem justificação.
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