A beleza de um olhar
Sempre achei o azul do mar das cores
mais lindas que poderiam existir. A sensação de calma e tranquilidade que
observar o mar traz é um sentimento indescritível. Isto achava eu até me cruzar
com os teus olhos pela primeira vez e ficar hipnotizada pelo magnetismo que
eles tinham.
Podiam
não ser do mesmo tom da cor do mar, mas eram igualmente azuis com traços verdes
que me faziam lembrar reflexos na água. E traziam-me o igual sentimento de
calma que o mar me proporciona. Eu perdia-me na imensidão do mar dos teus
olhos, ansiosa por descobrir todos os mistérios que eles escondiam.
Mas,
tal como o mar, devemos ter sempre atenção aos dias de tempestade, dias esses
em que o mar está envolto em sombras e escuridão. E foi aí que percebi que os
teus olhos poderiam me trazer também a sombra e a escuridão, que na nossa
realidade foi transformada em mágoa e desilusão.
Tive
que aprender a lidar com a ausência do olhar que me acalmava e me transportava
para um porto seguro. O olhar a que eu chamava “casa”. Aprender a lidar com o
medo de olhar para os olhos de alguém e perder-me outra vez na imensidão de um
olhar. Mas inevitavelmente isso iria acontecer. Não esperava que fosse tão
rápido, mas aconteceu, e não consegui evitar.
A
beleza de uns olhos azuis transformaram-se na magia de uns olhos castanhos.
Sentimentos diferentes, mas a mesma sensação de estar perdida quando mergulho
no olhar deles. Mesmo me sentindo perdida e sem rumo olhando para aqueles
olhos, posso dizer que são dos olhares mais sinceros e transparentes que já vi.
É irónico sentir a transparência de um olhar vindo de olhos castanhos.
A sensação de segurança que sinto quando olho para ele é difícil para mim achar a descrição disso... Depois de ti, não esperava sentir-me tão bem olhando outros olhos. Mas a verdade é que podem não ser azuis, mas são igualmente belos e misteriosos. E envoltos numa magia e no conforto, tal como o abraço do dono desses olhos castanhos que continuam a fascinar-me dia após dia...

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